
Entre os dias 11 e 13 de março, o Grupo Gestor da Rede de Diaconia está reunido em Porto Alegre (RS) para discutir inúmeras temáticas. Dentre elas, a Justiça de Gênero, que abriu a programação na tarde do dia 11, junto à casa de eventos e hospedagem das Irmãs Salesianas.
O assessor de projetos da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), Rogério Oliveira de Aguiar, e a coordenadora de Gênero, Gerações e Etnias da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), pastora Carmen Michel, trouxeram o tema “Justiça de Gênero – uma vida sem violência é um direito humano”.
Aguiar advertiu que, em 2025, o Brasil quebrou o recorde de feminicídios e que, só no Rio Grande do Sul, foram 80 casos. “Em 2026, já foram 20 mulheres assassinadas. Então, preocupa o fato de que, neste ano, podemos igualar ou até ultrapassar esse número”, observou.
O assessor de projetos trouxe aspectos do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, que foi criado por decreto federal em 2023 como estratégia interfederativa de coordenação de políticas, chamando a atenção para o fato de que o documento prevê a adesão voluntária dos estados e municípios. Consequentemente, há unidades federativas e municípios que não estão aderindo à iniciativa, o que dificulta a implantação do pacto em todo o território nacional.
Outro aspecto do Pacto é a adesão dos homens, com campanhas enfatizando que a prevenção não é apenas uma pauta das mulheres, mas de toda a sociedade. Aguiar colocou que o engajamento masculino aparece, sobretudo, no eixo de prevenção primária, com foco na revisão de padrões de masculinidades violentas, responsabilização social dos homens e promoção de masculinidades não violentas ou masculinidades positivas/saudáveis. O Pacto integra a formação do Nem Tão Doce Lar, da FLD.
Já a pastora Carmen apresentou as principais ações desenvolvidas pela IECLB no âmbito da justiça de gênero. Ela observou que, desde 2019, a Igreja tem pautado o tema, intencionalmente colocando-o nas Metas Missionárias. Dentre as iniciativas, está a Política de Justiça de Gênero, que visa sensibilizar e dar visibilidade a situações de violência doméstica e institucional.
A ministra apresentou outras ações recentes desenvolvidas pela IECLB por meio da Coordenação de Gênero, Gerações e Etnias, como a campanha “Fé que cuida da vida”, lançada em março. “Em janeiro, a IECLB assumiu publicamente a sua posição contra o feminicídio. Um gesto que reafirma que promover a vida e a dignidade das mulheres faz parte da nossa missão como Igreja”, afirmou. A campanha “Por um lar sem violências” foi outra ação desenvolvida, especialmente a partir da pandemia.
Carmen ainda apresentou o documento “Missão com Mulheres”, publicação que dá subsídios para criar e multiplicar grupos de apoio para mulheres em situação de violência. O material foi encaminhado para todas as comunidades e paróquias, mas que, conforme apontado pelos participantes da reunião, não chega necessariamente a todas as instâncias da Igreja, muito por resistência dos presbitérios e, inclusive, de ministros.
O primeiro dia de atividades do Grupo Gestor ainda contou com momento de encaminhamentos dos encontros das articulações Sul e Norte. À noite, houve confraternização, com a participação de integrantes de instituições diaconais da Região Metropolitana.
A programação da reunião do Grupo Gestor ainda prevê, dentre outras pautas, a visita a duas instituições diaconais de Porto Alegre, participação na inauguração da sede da Abefi (Novo Hamburgo), organização do 5º Encontro Nacional da Rede de Diaconia e integração e diálogo com o Conselho Nacional de Diaconia. “Iniciamos este encontro da Rede de Diaconia, comprometidos com a vida, a justiça e a criação de Deus. Serão três dias intensos, em que queremos estar ainda mais próximos das instituições que integram o Coletivo”, sublinha a coordenadora da Rede de Diaconia, diácona Simone Engel Voigt.
Texto e fotos: Édson Luís Schaeffer/Comunicação Rede de Diaconia







