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Conhecer para evitar o preconceito

13-02-17

"A oportunidade de conhecer e dialogar com um jovem guarani foi uma experiência relevante, pois oportunizou a superação do senso comum, muitas vezes preconceituoso, sobre as comunidades e povos indígenas". Este é o relato de uma jovem que participou da oficina de Arte Indígena, ocorrida no 34º Acampamento Repartir Juntos (ARJ), entre os dias 18 e 22 de janeiro, no Parque de Exposições de São Borja (RS).

O evento, que teve como tema Do passado ao futuro: 500 anos da Reforma!, reuniu jovens da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) para participar de oficinas temáticas e práticas. A oficina de artes indígenas, assessorada pelo cacique Anildo Kuaray e por Tereza Benites, ambos do Tekoa Yancã Ju, localizado em Santo Ângelo (RS), e pelo assessor do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), Sandro Luckmann, abordou a realidade e estatísticas dos povos e comunidades indígenas no Brasil, com informações sobre a cultura do povo Guarani, habitante tradicional da região em que se realizou o ARJ. 

Entre estes aspectos, ressaltou-se que o povo Guarani não reconhece a geopolítica de fixação de fronteiras internacionais entre Brasil e Argentina, pois transitam neste espaço a partir de uma concepção de território própria anteriormente criada por elas e eles. Além disso, expressões artísticas exclusivas dessa comunidade e aspectos da língua Guarani também foram abordados, evidenciando a diversidade cultural e étnica entre os diversos povos indígenas do Brasil. 

Ao final da oficina foi exibido o vídeo Tekoa Yancã Ju (assista abaixo) produzido em um minicurso de vídeo com jovens indígenas, numa parceria entre COMIN, Universidade Federal da Fronteira Sul-Campus de Cerro Largo (UFFS-CL) e Observatório Missioneiro de Atividades Criativas e Culturais (OMICult/Unipampa). O curta apresenta aspectos culturais e econômicos da comunidade guarani, e foi produzido por jovens indígenas de cinco comunidades da região noroeste e missioneira do Rio Grande do Sul. Evidenciando, assim, que o domínio da tecnologia pela comunidade indígena contribui para a aproximação e a superação do preconceito, potencializando diferentes canais com o protagonismo indígena. 

O COMIN concentra esforços no diálogo e aproximação entre os jovens indígenas e juventude da IECLB para a promoção do amor à pessoa próxima, respeito entre as diferentes culturas e o reconhecimento da diversidade étnica no Brasil. Desta forma, são constantes a participação de jovens e grupos indígenas em eventos como o Congresso Nacional da Juventude Evangélica (CONGRENAJE), programas sinodais e paroquiais, programas ecumênicos, intercâmbios entre grupos de mulheres, entre outros. O testemunho e o serviço com as comunidades indígenas e com toda a sociedade visa oportunizar outros relatos como da jovem no ARJ.